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26 de set de 2016

Bela, do Lar e Recatada? Não mesmo!


Há alguns anos conheci um casal muito sério e centrado. Pareciam um modelo a seguir, eram extremamente reservados e pontuais. A mulher devia ter, no máximo, seus quarenta anos, era a melhor bordadeira da cidade, seu marido tinha dinheiro o suficiente pra bancá-la, mas ainda assim continuava com seus bordados e auxiliava na despesa de casa. O cheiro dela era tão agradável que ficava um bom tempo por onde havia andado. Um dia a realidade de ambos mudou drasticamente. Tudo o que ele tinha simplesmente sumiu, estavam falidos. Algum tempo depois, a mulher descobriu que o marido tinha uma segunda família, chorou muito e eu a vi, aos soluços, parecia que a cidade praticamente toda já o tinha visto com a outra, até mesmo a família dele sabia, embora não concordasse. Após algum tempo do choque ela partiu e o deixou pra ir para outro estado. A bela, recatada e do lar recebeu um grande golpe, foi traída, seus filhos foram traídos. Pediu desculpas pelos atrasos ao locatário, chorou um pouco, vendeu suas coisas e foi embora. Nunca mais a verei e nunca vou poder dizer a ela o quanto estava orgulhosa e emocionada por sua coragem. Foi recomeçar tudo a partir do zero. Acreditava fielmente que esse contexto nunca mais se repetiria, afinal, depois de todo o escândalo das "Desperate Housewives", que macho ousaria?

Faz exatamente três anos que o rolo aqui citado ocorreu, e a outra, descobri que sabia que era casado, sabia que ele tinha família, etc, etc. Recentemente uma conhecida relatou a minha mãe ter descoberto estar na mesma situação, com uma diferença: O marido negou, elas simplesmente disse que estava tudo bem, e lá estão, vivendo a vida como se nada houvesse acontecido. A mãe dela simplesmente disse que gosta dele como um filho, e seu filho pediu que não falassem nada dele, pois é o pai dele, Ok, ok. Raciocine comigo: A esposa descobre que seu marido tem um relacionamento com uma filha de dez anos de idade, mas continua com a cara de paisagem, por qual razão? Dinheiro, comodismo, humilhação, imagem? Eu percebo que estamos com fatores culturais machistas tão enraizados dentro de nós que para ela é aceitável a mentira, a traição, o engano, a humilhação, e pro filho, o importante é que é o pai dele. O marido, vez ou outra, fala pra ela sair de casa, ameaça que vai procurar uma mais nova, e contra a vontade dela, expulsou todos os três filhos de casa 1, 2, 3, várias vezes, e ela? Continuou com aquele homem, vestindo-se conforme as instruções dele, nada de maquiagem, cozinhando e colocando o prato na comida dele. Todos ao redor também preferiram calar e fingir que nada aconteceu, lembro-me do professor de psicologia dizendo que dentro de uma família temos uma doença, e que, por sermos parte desta doença somos incapazes de perceber-nos doentes, por isso o filho foi expulso de casa inúmeras vezes por motivos idiotas ou simplesmente por o pai ter acordado de mau humor, e continua em sua defesa, a mulher, após anos de humilhação, submeteu-se a mais uma com resignação, como se fosse algo normal, pois pra eles, pro que estão acostumados a viver, é o normal mesmo. Vez ou outra podemos até ver nos olhos da dita cuja o brilho de uma mulher apaixonada.

Na família do meu pai tem dois casos que servem de lição pra mim: Tenho duas parentas, há mais de quarenta anos uma delas saiu de casa muito nova pra ser técnica de enfermagem, numa época de repressão e que o normal era casar, pronto, tanto que grande maioria das pessoas que conheço com a idade dela são semi-analfabetas, saiu do interior, com a cara e a coragem, trabalhava pra pagar o estudo, batalhou, foi pra uma cidade dez vezes maior que a de sua origem, acredito que deve ter sofrido, passado sufoco também. Também há mais de quarenta anos atrás havia uma outra parenta, esta casou-se muito nova com um rico fazendeiro que, na realidade, era um covarde, agredia tanto física quanto verbalmente, trancava-a em casa e sumia pelo mundo deixando-a passar necessidade por dias, não devia ter mais de dezoito anos quando juntou os filhos e saiu dali, em tempos em que separar era adotar o rótulo de vagabunda, enfrentou a sociedade da epoca, casou-se de novo, mais um relacionamento abusivo, do qual ela soube se libertar e sair dele dando a volta por cima, criou uma pá de filhos sozinha, sem ajuda de homem, em tempos em que isso era muito mais difícil de se fazer do que é hoje. Tenho medo, pode parecer idiota, mas tenho sim, de me tornar como estas mulheres que deixam de ser mulheres, esposas ou amantes pra ser parte da decoração, medo do meu único medo seja ser abandonada e me tornar tão acomodada que não exista nada a ser feito quando agredida e humilhada pelo meu parceiro. Medo de chegar o dia em que eu precise tanto do outro que esqueça de mim. Medo de não ter metade da garra que essas mulheres, meu sangue, tiveram!

Dica de blog: Make Sobre Rodas



O blog Make Sobre Rodas é de autoria de Robertinha Oliveira, uma menina mulher que é cadeirante e a prova de que uma deficiência não é uma limitação, visto que ela trabalha, efetua postagens constantes tanto em seu blog quanto em suas demais redes sociais com um sorrisão enfeitando sua face. Roberta faz faculdade e ao contrário do que muitos podem pensar, é como eu, você e todo mundo, usar cadeira de rodas é só um pequeno detalhe diante de tantos detalhes apaixonantes.
Para quem quiser conhecê-la e se apaixonar aqui vão suas redes sociais:
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Ela é mineira de Guaxupé, carinhosamente chamada de Rô por seus seguidores faz uma série de resenhas muito legais sobre diversos tipos de produtos de beleza como esmalte, maquiagem, hidratante, entre outros. Outra coisa muito legal sobre ela é que sua família é muito unida, o que eu considero essencial para a formação de qualquer indivíduo e acho que é consequência de uma família com pessoas com alguma deficiência: Desaba de vez ou se tornam mais unidos do que nunca, como aconteceu aqui em casa quando descobrimos sobre o Pedro Miguel. Espero que gostem da dica, pois acho que vale super a pena conhecer!

Vamos Fingir que Foi Abuso?


Havia essa garota de nove anos que adorava ir me ver na casa dos meus pais. Era uma prima de segundo grau. Morava com os avós, meus tios. Um dia chegou em mim e disse que meu tio ficava provocando-a sexualmente, chamando ela pra encostar em seus órgãos genitais, mas que sempre surgia alguém que o evitava de forçá-la. Eu sou uma pessoa muito problemática, fiquei devastada na epoca e até pouco tempo atrás, nunca poderia me esquecer de tudo o que ela dissera. Um dia fui pedir conselho ao meu pai sobre o que fazer, ele disse que eu deveria ficar quieta, mas acabou falando com minha mãe que, numa das visitas dela, enquanto eu estava no banho, aproveitou pra chacoalhá-la e começou a gritar que ela era uma mentirosa, que ele, meu tio, nunca faria isso, precisei sair do banheiro correndo, nua, com sabão no corpo todo, antes que ela levasse uns tapas da minha mãe. Com o tempo eu entendi através das coisas que ela mesma falou, que era óbvio o meu medo do tio dela, filho desses meus tios, e hoje me pergunto se ela, uma criança, teria a coragem de se aproveitar de um trauma meu pra ganhar minha empatia. Depois de alguns anos ela foi embora, mas voltou pra visitar, na última vez, ela parecia muito a fim de me usar, pedia pra sairmos sem meu filho e sem meu marido, só servia se fosse no meu carro, e, de repente, falava de levar as primas que eu não conhecia pra farrear pela cidade, mas não fui, pois, entenda bem, moro em interior, tudo vira fofoca, não queria, mais uma vez, ver meu relacionamento ameaçado por causa da língua afiada dos outros. Nas poucas vezes em que saímos e tivemos um tempo a sós, me soltou uma enxurrada de segredos, assim, do nada, mas quando toquei naquela situação ela fez cara de "você pirou?", e disse que não se lembrava de nada disso. Hoje eu fico confusa, foi um joguete de uma menina extremamente manipuladora ou era algum tipo de estresse pós traumático em que apagou tudo? Não parecia, ela parecia articulada demais, livre demais pra esquecer o que, supostamente, aconteceria ou aconteceu a ela. Hoje fico me perguntando, intrigada, por qual razão uma pessoa inventaria ser vítima de assédio tão nova? Ou por qual motivo ela me contaria um monte de segredos pesados e diria que aquele não aconteceu? Eu tenho uma coisa chamada instinto materno muito aflorado em mim, eu pegaria pra criar as pessoas mais novas da minha família, e, vai ver, a mentirosa compulsiva, viu esse ponto fraco em mim. Vai entender, né? Eu só decidi me afastar, aquela história de só me procuram quando querem algo em troca é um rótulo perfeito pra alguns dos meus parentes. Eu tentei de toda forma convencê-la a denunciar, a falar com seu pai, mas não havia dor visível ali, era apenas uma história sendo contada por uma criança...

21 de set de 2016

Quase Look do Dia: Parada nas BR

Nós sempre fazemos de duas a três paradas, por mais que o carro esteja abastecido, com bebidas e alimento, mijar se torna muito necessário quando você está há horas em um carro com as mesmas pessoas, a bateria do celular descarregada e subindo pelo capô de tanta ansiedade. De onde moro até nosso até então rotineiro destino em São Paulo são dezoito horas sem contar as paradas.

Pra não enlouquecer, parar é essencial! Huaehuae. Essa jaqueta é de couro sintético, estava em promoção, por isso paguei R$ 110 nela numa loja aqui de Paracatu chamada Eldorado Magazine, sua marca é Mooncity, suponho que ñ seja muito famosa pois nunca vi nem ouvi falar antes huaehuae.
O coturno, como sempre, é da Vilela Boots and Shoes, foi minha mais recente aquisição de coturno, precisava de algo baixo e confortável, foi muuuuito barato e comprei na loja virtual deles. Houve uns probleminhas pois o carro dos correios foi assaltado e levaram metade da carga, entre eles, meu bebê! Tenho mais dois coturnos da marca que comprei na Dark Fashion e digo que nem de longe são tão confortáveis quanto este baratex que nem o logo deles tem gravado :( o preço exato eu ñ lembro, só lembro que foi bem barato mesmo hehe
A calça é de uma marca chamada K2B, comprei numa loja daqui chamada Casa Moura, também foi barata, considerando que eu NUNCA pagaria mais que R$ 70 numa calça e eu a tenho desde o ensino médio, quase dez anos já e está perfeita, intacta, linda e maravilhosa pra mim! Estava em busca de conforto e simplicidade tendo em vista que a viagem fora muito longa, o que deu certo até minha pressão cair e eu vomitar toda em mim mesma. Huaehuaehuae.

É isso! Flw vlw, galerinha!

20 de set de 2016

Minha Visão sobre Deus: Heresia, Domingos Montagner e Índios


Houve um tempo em que eu acreditava fielmente que Deus havia me abandonado, não conseguia sentir nada além de temor por ele, imaginava um ditador caucasiano, muito velho e ranzinza, de barba e cabelo longo e grisalho, ignorante e com doutorado em punições, se você não cumprisse com sua obrigação de ser um servo fiel e devocionista seria castigado com toda a rigidez que um assassino merecia. Vigiava meus pensamentos como se estivesse sendo espionada por este personagem aterrorizante criado pelos pastores da presbiteriana que frequentávamos. Com a adolescência comecei a questionar, tudo o que os líderes me diziam era que eu não devia fazê-lo, afinal seria castigada. Comecei a me solidarizar com o capiroto, afinal como assim o cara me criava e não podia sequer me dar uma atençãozinha ou iluminar aqueles mortais que se diziam inspirados por Ele pra me elucidar? Foi um longo tempo até cair a ficha: Aqueles homens eram mortais e estavam tão perdidos e sem respostas quanto eu. Não amavam seu deus, eram obrigados a amar, era a profissão deles repetir e tentar de convencer a ser mais um soldadinho de chumbo que só repete, um CD arranhado. Percebo isso em muita gente, falam de suas crenças, mas não a seguem, não a sentiram em seus corações de fato. Existe até uma música gospel para o público infantil que expressa bem o que estou tentando explicar, diz em sua letra que se você não for a igreja você não vai crescer. Eu já vi tanto ateu na vida que não era anão. Achei algo forte demais pra se dizer a uma criança, errado em excesso, muita obrigação e pouco incentivo. Ah, mas poxa, era metafórico, e uma criança de 1 a 5 anos vai saber diferenciar metáfora de realidade?
Depois de muito tempo tentando entender o conceito de demônio, finalmente consegui chegar perto do carinha que me inventou. Pude combinar a lógica com a fé. Entendi o que havia sido feito de errado na minha educação religiosa, esqueceram de pregar o cristianismo pra pregar religião, éramos mais evangélicos do que cristãos. Estavam mais ocupados com o juízo final do que com o presente, com seus atos e consequências, éramos abençoados como se fôssemos superiores aos demais, mas não havia amor ao próximo, caridade ou perdão, apenas o direito de julgar uns aos outros. Perdia-se mais tempo apontando falhas, brincando de Jesus.
O ator Domingos Montagner foi uma prova do fanatismo religioso e da falta de empatia humana. O corpo veio a óbito por meio de um afogamento, vários amigos meus enviaram um texto pelo whatsapp falando que era óbvio que o mesmo estava cometendo adultério com Camila Pitanga ou que foi castigo de Deus por envolver nomes como Santa Sara (Iansã) e índios na novela em que ele aceitou trabalhar, mas Jesus posou na casa de um servidor corrupto alegando que este tinha mais fé do que os que o julgavam, recebeu uma prostituta em seu meio, então as pessoas e sua fé exagerada em homens, no caso pastores e padres, esqueceram-se da principal mensagem do Mestre, por isso que abrimos o jornal e encontramos mulheres que se deixam abusar confiando quando aquele usa o nome de Deus para a própria luxúria. Um homem, casado e elogiado por todos a sua volta como um ser humano de luz, tem sua memória manchada justamente por teorias, fofocas, invenções de pessoas com muito tempo livre e pouca bondade no coração, que fazem uso do nome de nosso criador pra justificar preconceitos injustificáveis, acham que podem dizer o que se passa na cabeça de Deus, quanta humildade, né não? Deus fala ao nosso coração, mas nós, se fôssemos mais humildes, entenderíamos que ele sabe de tudo o que se passa em nosso âmago, de todo o bem e todo o mal, que não adianta usar o livro Dele como escudo contra Ele, como uma arma, quando Jesus teve sua vinda desperdiçada, pois esquecemo-nos de sua maior lição e que pode servir de resumo pra todas as recebidas: Amai-vos uns aos outros como a si mesmos! Quem seria o herege da história? Aquele que acha que sabe o que se passa na cabeça de Deus ou aquele que é respeitoso com todos indiferente de credo ou crença? Acha mesmo que nosso criador deixaria um presidente que desgraça toda uma nação impune e mataria um simples ator de folga? Realmente vê o nosso pai pequeno assim?

Quando finalmente abandonei a religião e passei a buscar mais pelo meu criador sentí seu toque na minha alma. Deus falou ao meu coração e isso tem acontecido tantas vezes desde que aprendi a buscar mais a Ele e menos pelos homens. Quando Ele me fala uma onda de aconchego se apossa de mim e sinto-me abraçada, amada, definitivamente encontrada, meu coração transborda e sei que está comigo todo o tempo, eu sinto! Meu peito se aquece e, de repente, sou forte e boa, pra depois ser humana de novo, mortal com seus sentimentos demasiadamente humanos. Perceber a presença de Deus te ajuda a ficar de pé e a sobreviver aos dramas de todo dia. Não é entre seu pastor e ele, pra depois chegar a você, é algo que acontece na sua alma, e é só entre vocês dois.

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